Se fracassou a manobra da oposição, ao pedir votação nominal tentando colocar a base do governo numa “saia justa”, ao votar contra o requerimento solicitando uma auditoria no contrato de consultoria, no valor de R$ 10 milhões, firmado pelo Governo do Estado com a Fundação Getúlio Vargas, a votação da proposta serviu para deixar ainda mais transparente qual tem sido a estratégia dos adversários de Wellington Dias para atrapalhar os planos do governador de vencer pela quarta vez – será a segunda reeleição caso ele seja eleito.
Há meses, desde o primeiro semestre, com raríssimas exceções, três deputados tem se revezado como primeiro orador inscrito – Robert Rios (PDT), Gustavo Neiva e Rubem Martins (PSB) – para ter direito a 30 minutos na tribuna da Assembleia Legislativa. Além de se inscrever primeiro, os deputados ainda inscrevem um dos colegas, que gentilmente cede o tempo para o orador que ocupa a tribuna.
A oposição se reveza na tribuna e assim consegue bater todos os dias no governo, buscando espaços na mídia, embora as críticas diárias não rendam manchetes porque já não atraem mais o olhar da mídia de tão repetitivas. Tanto que o criticar por criticar deu lugar à denúncia, com ameaça de levar os fatos ao conhecimento do TCE-PI, MPE, MPF, PGR..., como as supostas irregularidades nos contratos com a Águas do Brasil e com a Fundação Getúlio Vargas. As parcerias público-privadas, aliás, são a bola da vez na administração estadual e alvo de sucessivas denúncias do opositores do governo petista.
“Não somos contra a auditoria, fiscalização que é um ato normal, os colegas inclusive podem requerer perante o tribunal de Contas, ocorre que aqui o objetivo não é fazer auditoria, mas sim arrancar manchete do jornal para passar a ideia de que a Assembleia Legislativa está suspeitando do governo e seus contratos... sugiro que os colegas façam a solicitação pessoalmente e não usem a base do governo para passar para a opinião pública que nós desta Casa suspeitamos do Governo”, reagiu o líder do Governo, deputado João de Deus (PT), que, apesar de haver mais de 24 deputados aliados, tem sido uma voz solitária a se manifestar contra as críticas e denúncias da oposição.