Maternidade vai manter gravidez de menina de 11 anos vítima de estupro

Uma menina de 11 anos deu entrada na Maternidade Dona Evangelina Rosa, nesta semana, grávida em decorrência de estupro cometido pelo padrasto dentro da própria casa, no Maranhão. Nesta quarta-feira (8), a Maternidade resolveu, através do Serviço de Atenção às Mulheres Vítimas de Violência Sexual (SAMVVIS), manter a gestação devido ao fato de que a gravidez da menina já está na e 25° semana, e pela idade dela, a interrupção legalmente deveria ocorrer na 12ª semana.

Em nota, a Maternidade Dona Evangelina Rosa informou que o feto está totalmente formado, com batimentos cardíacos e formação normal sem nenhuma anormalidade visível, e que a gestante adolescente não apresentava sintomas de anormalidades em sua saúde física ou mental no momento do exame físico e não se encontra internada.

A nota assinada pela médica Maria Castelo Branco, coordenadora do SAMVVIS, diz ainda que a maternidade irá disponibilizar toda assistência necessária para o acompanhamento da gravidez e do parto, além de prestar orientações para as possibilidades de cuidar da criança ou, se preferir, disponibilizar para adoção.

A menina foi vítima do abuso sexual durante três anos.  Após uma ultrassonografia pélvica foi constatado que ela está no sexto mês de gestação, o abortamento legal ocorre até o quinto mês.

NOTA DE ESCLARECIMENTO

A respeito da matéria veiculada na imprensa sobre uma vítima de 11 anos com gravidez decorrente de estupro, o Serviço de Atenção às Mulheres Vítimas de Violência Sexual (SAMVVIS) informa que depois de realizado o Boletim de Ocorrência (BO) e exame de corpo de delito no vizinho estado do Maranhão, a menor foi acolhida e atendida no SAMVVIS por uma equipe multiprofissional, onde foi realizada ultrassonografia pélvica que constatou gestação de 25 semanas, feto único, totalmente formado, batimentos cardíacos e formação normal sem nenhuma anormalidade visível.

A gestante adolescente não apresentava sintomas de anormalidades em sua saúde física ou mental no momento do exame físico e não se encontra internada. Considerando que a idade gestacional está fora da idade de interrupção legal da gravidez (até 20/ 22 semanas), sendo que, preferencialmente, a gestação deveria ser interrompida até a 12ª semana, segundo protocolos do Ministério da Saúde, o procedimento de interrupção da gravidez não foi indicado. A não interrupção da gravidez nessa idade gestacional objetiva ainda salvaguardar a saúde da adolescente e do seu concepto, assegurar os princípios éticos e legais do serviço de saúde e de seus profissionais, bem como reduzir riscos de morbimortalidade materna.

Importante ressaltar que este Serviço irá disponibilizar toda assistência necessária para o acompanhamento da gravidez e do parto com qualidade e humanização, ocasião em que será orientada e encorajada para as possibilidades de cuidar da criança ou, se preferir, disponibilizar para adoção.

O SAMVVIS lamenta a triste ocorrência; mais uma vez se solidariza com mulheres que passam por essa inequívoca expressão de desigualdade de gênero; reconhece as repercussões físicas, sociais e psicológicas na vida pessoal e familiar de cada vítima; se envolve na dor dessa e outras tantas mulheres que procuram superar transtornos causados pelo hediondo crime de abuso sexual enquanto conclama toda a sociedade, no mês que lhe é dedicado, a fazer parte da luta pelo respeito e dignidade de todas as mulheres

Dra. Maria Castelo Branco

Coordenadora do SAMVVIS

Maternidade Dona Evangelina Rosa (MDER)

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