Indígenas do Piauí vão à Brasília reivindicar por direitos dos povos originários

Uma caravana de 45 indígenas se juntam à outros de todo o Brasil para participar do acampamento Terra Livre

Um grupo de 45 indígenas de Lagoa do São Francisco, no Piauí, vai até Brasília para participar do acampamento Terra Livre, entre os dias 22 e 26 de abril, no Complexo Cultural Funarte. O foco do evento este ano será a reivindicação sobre a garantia dos direitos originários, da demarcação de terras indígenas e o fim da violência nos territórios. Sob o mote “Nosso Marco é Ancestral: Sempre estivemos aqui!”, povos indígenas de todo o país ocupam a capital federal.

De acordo com o coordenador executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Kleber Karipuna, o grupo vai debater em assembleia os próximos caminhos. 

"Seguimos mobilizados e na luta. O ATL é a maior mobilização indígena do Brasil e a expectativa é que o ATL 2024 seja o mais participativo de toda a história, tanto em número de pessoas, quanto de representatividade de povos”, disse.

Os indígenas protestam principalmente contra a Lei 14.701/2023, que estabeleceu o chamado marco temporal para a demarcação de terras indígenas. Pela tese, que os ruralistas conseguiram aprovar no Congresso no final do ano, os povos originários somente têm direito à demarcação dos territórios que estavam em sua posse no dia 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição Federal. Ou que estavam em disputa judicial na época. A legislação é considerada uma afronta ao texto constitucional.

Para os indígenas piauienses, a principal pauta é a reinstalação do escritório da Funai no Estado. Para isso, esperam contar com o apoio do ministro do Desenvolvimento Regional, Wellington Dias.

Organizações também questionam a tese no Supremo Tribunal Federal (STF), que já havia derrubado esse entendimento. Elas pedem que a lei seja declarada inconstitucional e suspensa até o julgamento definitivo na Corte. As comunidades indígenas também exigem o fim da violência contra territórios, que vêm enfrentando inclusive milícias rurais, como o grupo Invasão Zero.

O ATL marca ainda um processo de reivindicação que vem ocorrendo desde o início de abril. Como resposta, nessa quinta (18), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) homologou mais duas terras indígenas. O anúncio ocorreu durante a retomada do Conselho Nacional de Política Indigenista (CNPI). A cerimônia no Ministério da Justiça, em Brasília, reuniu representantes de cerca de 30 povos originários. As homologações, penúltima etapa da demarcação, atingem as terras de Aldeia Velha, na Bahia, e Cacique Fontoura, no Mato Grosso. E deram-se às vésperas do Dia dos Povos Indígenas, celebrado nessa sexta (19).