Federal faz apreensão na casa de Cunha

Policiais federais apreenderam registros do sistema de informática da Câmara em diligência relacion

Policiais federais apreenderam registros do sistema de informática da Câmara em diligência relacionada às investigações contra o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), suspeito de envolvimento no esquema de corrupção da Petrobras. A busca, realizada com discrição ontem (5) pela manhã, foi autorizada pelo ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, segundo informações do jornal O Globo.

Segundo a reportagem, foram copiados todos os registros do sistema de informática da Câmara que armazenam informações sobre autoria de projetos e requerimentos. Uma das suspeitas que recaem sobre o deputado é de ter pressionado, com requerimentos na Casa, empresas que haviam suspendido o pagamento de propina ao PMDB. A acusação foi feita pelo doleiro Alberto Youssef, que colabora com as investigações em troca da redução da pena.

De acordo com o repórter Vinicius Sassine, nos registros, há a confirmação de que teriam passado pelo gabinete de Cunha os dois requerimentos usados para pressionar Toyo e Mitsui, empresas com contratos com a Petrobras. O deputado nega ser autor dos pedidos, assinados pela ex-deputada Solange Almeida (PMDB-RJ), atual prefeita de Rio Bonito (RJ).

O advogado de Cunha, Antonio Fernando de Souza, confirmou ao jornal a ação de busca e apreensão, mas a minimizou. Autor da denúncia do mensalão no Supremo, quando era o procurador-geral da República, Antonio Fernando criticou a decisão do Ministério Público em relação ao seu cliente. “Isso não tem a menor relevância no contexto do inquérito e não altera nenhum quadro. Eles queriam as informações de informática e foram dadas. Houve uma precipitação do Ministério Público porque, se eles tivessem pedido, seria entregue porque não há nada a esconder”, alegou.

Autoria

Na semana passada, reportagem da Folha de S.Paulo detectou no sistema oficial da Câmara que o nome do peemedebista consta como “autor” dos dois arquivos em que foram produzidos os requerimentos assinados por Solange. No mesmo dia em que a reportagem foi publicada, Cunha exonerou o chefe da área de informática da Casa.

Cunha é investigado no STF pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Em seu depoimento, Alberto Youssef acusou o presidente da Câmara de receber propina no esquema de desvios da Petrobras por um contrato de aluguel de um navio-plataforma das duas empresas.

Pressão

Segundo Youssef, a pressão ocorreu por causa de interrupção no repasse dos pagamentos ao PMDB, motivada pela suspensão da comissão paga pelas duas empresas a Camargo. Conforme o doleiro, relata O Globo, Cunha pediu “a uma comissão do Congresso para questionar tudo sobre a empresa Toyo, Mitsui e sobre Camargo, Samsung e suas relações com a Petrobras, cobrando contratos e outras questões”. “Este pedido à Petrobras foi feito por intermédio de dois deputados do PMDB”, acrescentou.

Reportagem publicada em março pelo jornal carioca revelou que a Mitsui e o executivo Júlio Camargo foram alvos de questionamentos na Câmara no período em que ocorriam os desvios na estatal. Em 2011, a então deputada Solange Almeida apresentou dois requerimentos na Comissão de Fiscalização e Controle solicitando praticamente o que relatou Youssef. O texto dela teve apoio de outro deputado, Sérgio Brito (PSD-BA), que não era do PMDB.

Em parecer enviado ao STF, Janot recusou pedido de arquivamento do inquérito que apura o envolvimento de Cunha no esquema investigado pela Lava Jato. Segundo o procurador-geral, não há elementos que justifiquem o imediato arquivamento das apurações.