Em tratamento, ex-advogado de Bruno quer voltar ao caso

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O ex-advogado do goleiro Bruno, Ércio Quaresma Firpe, que deixou a defesa do jogador depois de ter um vídeo divulgado com imagens dele fumando crack em uma favela de Belo Horizonte, disse que pode voltar a atuar no processo caso o atleta aceite.



Quaresma afirmou que "teve uma conversa com o atual advogado de Bruno, Claudio Dalledone, mas que ainda não tem nada certo". Ele explicou que, se retornar ao caso, ele e Dalledone atuariam juntos na defesa de Bruno, que vai a júri popular por homicídio triplamente qualificado pela morte de Eliza Samúdio. "Tudo depende do que o Bruno determinar", disse.



No sábado, completa um ano o desaparecimento da modelo e ex-amante do goleiro, Eliza Samudio. Bruno foi preso em 7 de julho no Rio de Janeiro, acusado de ter participado do desaparecimento e suposta morte de Eliza. Quaresma disse que visitaria o ex-cliente na Penitenciária Nelson Hungria para conversar sobre o assunto. "Vou visitar o Bruno na semana que vem, em solidariedade. Faz praticamente um ano que ele está preso", afirmou.



Segundo Quaresma, outros acusados também o teriam procurado, mas ele não quis revelar quem seriam. "Saí completamente do caso quando houve a suspensão. Nada que não impeça que eu volte mais para frente." No ano passado, o advogado foi suspenso por 90 dias pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MG) após se confessar viciado em crack havia sete anos. "Estou me tratando com o maior psiquiatra do País em dependência química, e tive algumas recaídas, mas nunca entrei num plenário doidão", disse.



Dez dias antes de Bruno ser pronunciado pela Justiça, seu atual advogado, Claudio Dalledone Júnior, chegou a encaminhar um pedido à juíza Marixa Fabiane Rodrigues Lopes, do Tribunal do Júri de Contagem, para que o processo da morte de Eliza Samudio fosse anulado. Para Dalledone, havia diversas razões que fundamentavam a nulidade do processo, entre elas, o fato do cliente dele "ter ficado desprotegido" legalmente durante os interrogatórios dos réus e testemunhas justamente pelo fato de Ércio Quaresma ter dormido e até roncado no plenário.



"O Bruno está indefeso. Ela (Marixa Fabiane Rodrigues Lopes) deveria ter declarado que ele estava indefeso quando o meu colega, Quaresma, acabou por adormecer não só em audiência, como em interrogatório", relatou no pedido, que foi negado. Quaresma justificou à época dizendo que sentia sono devido aos efeitos colaterais provocados pelos medicamentos que tomava durante o tratamento da dependência química. Ele chegou a ser repreendido duas vezes pela juíza por incomodar as audiências com o barulho de seu ronco.



Depois de seis meses e pelo menos duas internações em hospitais de Belo Horizonte por problemas cardíacos, Ércio Quaresma garante que está curado da dependência química e já pode atuar na profissão normalmente. "Estou só na base de consulta médica, nem os medicamentos estou tomando mais."



O caso Bruno

Eliza desapareceu no dia 4 de junho de 2010 quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano anterior, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.



No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas de que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, então com 4 meses, estava lá. A mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado.



Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em dois depoimentos, admitiu participação no crime. Segundo a polícia, o jovem de 17 anos relatou que a ex-amante de Bruno foi levada do Rio para Minas, mantida em cativeiro e executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.



No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por envolvimento no crime. Todos negam participação e se recusaram a prestar depoimento à polícia, decidindo falar apenas em juízo.



No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos pelo sequestro e morte de Eliza, sendo que Bruno foi apontado como mandante e executor do crime. Além dos oito que foram presos inicialmente, a investigação apontou a participação de uma namorada do goleiro, Fernanda Gomes Castro, que também foi indiciada e detida. O Ministério Público concordou com o relatório policial e ofereceu denúncia à Justiça, que aceitou e tornou réus todos os envolvidos. O jovem de 17 anos, embora tenha negado em depoimentos posteriores ter visto a morte de Eliza, foi condenado no dia 9 de agosto pela participação no crime e cumprirá medida socioeducativa de internação por prazo indeterminado.



No início de dezembro, Bruno e Macarrão foram condenados pelo sequestro e agressão a Eliza, em outubro de 2009, pela Justiça do Rio. O goleiro pegou quatro anos e seis meses de prisão por cárcere privado, lesão corporal e constrangimento ilegal, e seu amigo, três anos de reclusão por cárcere privado. Em 17 de dezembro, a Justiça mineira decidiu que Bruno, Macarrão, Sérgio e Bola serão levados a júri popular por homicídio triplamente qualificado, sendo que o último responderá também por ocultação de cadáver. Dayanne, Fernanda, Elenilson e Wemerson também irão a júri popular, mas por sequestro e cárcere privado. Além disso, a juíza decidiu pela revogação da prisão preventiva dos quatro. Flávio, que já havia sido libertado após ser excluído do pedido de MP para levar os réus a júri popular, foi absolvido. Além disso, nenhum deles responderá pelo crime de corrupção de menores.