Comunidades do Delta do Parnaíba ajudam a proteger o tamanduaí, menor tamanduá do mundo

Mudas produzidas em comunidades de Parnaíba e Ilha Grande (PI) foram plantadas em áreas de amortecimento do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses

Cerca de 600 mudas de espécies nativas do Delta do Parnaíba, produzidas pelas comunidades Cal, Baixão e Pantanal, nos municípios de Parnaíba e Ilha Grande (PI), foram utilizadas na primeira etapa de uma ação inédita de restauração de 30 hectares de restinga nos Lençóis Maranhenses, que teve início em dezembro do ano passo. 

A iniciativa, da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza em parceria com o Instituto Tamanduá, tem como objetivo fortalecer áreas de amortecimento — zonas que funcionam como um “escudo” ao redor do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses para reduzir impactos externos — no município de Barreirinhas (MA). 

A recuperação da restinga é inspirada em uma missão do mapa Guardiões do Futuro, lançado neste pela Fundação Grupo Boticário na plataforma de jogos Fortnite, conectando o universo gamer à conservação costeira e à proteção de espécies sensíveis. 

“As narrativas do mapa Guardiões do Futuro, no Fortnite, nos ajudam a traduzir temas complexos para os jovens, como erosão costeira, perda de habitat e mudanças climáticas, em experiências acessíveis, participativas e imersivas. Agora, vamos reforçar que a conscientização pode nos levar a ações efetivas e práticas. A mobilização das comunidades do Delta do Parnaíba em torno do tamanduaí é um exemplo vivo disso”, destaca Omar Rodrigues, gerente sênior de comunicação, engajamento e relações institucionais da Fundação Grupo Boticário.

O plantio das mudas nativas é realizado com o apoio do Instituto Chico Mendes de Proteção da Biodiversidade (ICMBio) e a mobilização das comunidades do entorno. Mas a missão vai além: para garantir a perenidade da restauração, será construído um viveiro de mudas em Atins (MA). “Essas ações combinadas buscam reduzir a pressão sobre a restinga, contribuindo para que o ecossistema seja recuperado e possa exercer suas funções ecológicas”, frisa Flávia Miranda, presidente do Instituto Tamanduá e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN).

Solitário e de hábitos noturnos, o tamanduaí passa a maior parte do tempo no alto das árvores, mede cerca de 30 centímetros e pesa, no máximo, 400 gramas. Ele habita manguezais e restingas no Nordeste brasileiro, do Delta do Parnaíba aos Lençóis Maranhenses. Pouco conhecido pela ciência, o animal é classificado pela International Union Conservation of Nature (IUCN) com o status de “dados deficientes”.

“Até anos recentes, acreditava-se que esses pequenos tamanduás só ocorriam na floresta amazônica. Estudos genéticos mostram que os indivíduos que se concentram no Delta do Parnaíba e chegam até as margens dos lençois maranhenses estão separados há 2 milhões de anos daqueles que vivem na Amazônia. Desde então, eles evoluíram de forma independente pela formação do Delta e da Caatinga, que diferenciou a Mata Atlântica da Amazônia há milhões de anos”, explica Flávia Miranda.

Restinga: ecossistema essencial e pouco conhecido

A restinga, por vezes lembrada apenas como vegetação rasteira ou “mato na areia” perto das praias, é um dos pilares da segurança costeira brasileira. Segundo a pesquisa Oceano sem Mistérios: A relação dos brasileiros com o mar - Evolução de cenários (2022-2025), realizada pela Fundação Grupo Boticário, 60% dos brasileiros desconhecem o ecossistema. O levantamento mostra ainda que 80% das pessoas dizem nunca ter visitado uma área de restinga. 

“Essa vegetação ocorre em 79% da costa brasileira, protegendo lençois freáticos e atuando como barreira natural contra o avanço do mar”, enfatiza Rodrigues. “A restinga é uma Solução Baseada na Natureza (SBN) essencial para conter erosão e proteger comunidades costeiras, mas ainda é pouco compreendida e, por isso, pouco valorizada”, complementa o gerente da Fundação Grupo Boticário.

Outras missões

A mobilização no Delta do Parnaíba e nos Lençóis Maranhenses integra um calendário de ações de impacto conduzidas pela Fundação Grupo Boticário para celebrar seus 35 anos. Além dos projetos e iniciativas regulares de conservação da natureza desenvolvidos em todo o Brasil, a instituição promoveu uma jornada especial  de comunicação e engajamento. A programação incluiu a campanha “Natureza On”, que teve uma live de 24 horas com conteúdo nas redes sociais (@fundacaogrupoboticario) e uma intervenção no Canal Off, que ficou fora do ar por uma hora para lembrar a importância da natureza em nossas vidas. Outras ações foram o lançamento do mapa Guardiões do Futuro no Fortnite e a criação da Plataforma Natureza ON - lançada na COP30, em Belém, com tecnologias Google Cloud e parceria com MapBiomas -, que mapeia riscos climáticos e propõe Soluções Baseadas na Natureza para aumentar a resiliência nas cidades.
Mais sobre o jogo no Fortnite
O mapa Guardiões do Futuro conta com sete ilhas temáticas, cada uma afetada por um evento climático extremo diferente, como enchentes, seca, inundação costeira, incêndio florestal e deslizamentos. Para recuperar o equilíbrio em cada ambiente, os jogadores são convidados a realizar desafios, como renaturalizar rios, restaurar encostas, recuperar restingas e recifes de corais e proteger a biodiversidade. Em formato colaborativo, equipes com até oito jogadores cumprem tarefas variadas para restaurar o equilíbrio ambiental e liberar zonas seguras para os jogadores.Conforme avançam nas missões, os jogadores ganham pontos de experiência, sobem de nível e desbloqueiam recompensas, acompanhando seu desempenho em um ranking individual e em grupo. A proposta é conectar a urgência climática com uma linguagem envolvente para as novas gerações, aliando entretenimento e propósito. A campanha tem criação da agência Opus Múltipla e desenvolvimento do jogo pela empresa Pixel. Para acessar o jogo, basta inserir o código 4172-0541-6404 no Fortnite.

Sobre a Fundação Grupo Boticário

Com 35 anos de história, a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza é uma das principais fundações empresariais do Brasil que atuam para conservar o patrimônio natural brasileiro. Com foco na adaptação da sociedade às mudanças climáticas, especialmente em relação à segurança hídrica e à proteção costeira, a instituição atua para que a conservação da biodiversidade seja priorizada em todos os setores. 

Alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, considera que a natureza é a base para o desenvolvimento social e econômico do país. Sem fins lucrativos e mantida pelo Grupo Boticário, a Fundação Grupo Boticário contribui para que diferentes atores estejam mobilizados em busca de soluções para os principais desafios ambientais, sociais e econômicos. Já apoiou mais de 1.800 iniciativas em todos os biomas no país. Protege duas reservas naturais de Mata Atlântica e Cerrado – os biomas mais ameaçados do Brasil pelo desmatamento –, somando 11 mil hectares, o equivalente a 70 Parques do Ibirapuera.

 Com 1,4 milhão de seguidores nas redes sociais, busca também aproximar a natureza do cotidiano das pessoas. A instituição é fruto da inspiração de Miguel Krigsner, fundador e presidente do Conselho do Grupo Boticário, criada em 1990, dois anos antes da Rio-92 ou Cúpula da Terra, evento que foi um marco para a conservação ambiental mundial. | www.fundacaogrupoboticario.org.br | @fundacaogrupoboticario (Instagram, Facebook, LinkedIn, Youtube, TikTok).