Já deu, passou da hora! Os clubes brasileiros devem adotar - aliás já deveriam ter feito isso faz tempo - cláusulas contratuais para punir com rigor a irresponsabilidade de jogadores, que prejudicam um time inteiro, mudam resultados de partidas, fazem a torcida amargar a perda de títulos. Tá na hora de mexer do bolso de quem comete esse gesto inconsequente de tirar a camisa para comemorar um gol.
Qual o argumento, a motivação? Qual a graça mesmo em rodar na mão ou jogar no chão o uniforme do clube e junto com ele as marcas dos patrocinadores que bancam os salários dessas “estrelas” da bola?
O que justifica o desprezo pela camisa, a mesma que Pedros e Manés beijam - e mordem o escudo - quando assinam os contratos [alguns milionários], são apresentados aos repórteres, prometem dar o seu “melhor”, honrar às cores, juram amor à torcida?
Aliás, o torcedor é um capitulo à parte nessa discussão, já que enverga orgulhoso a camisa do time do coração, como um "manto sagrado", mesmo perdendo. A torcida - diferente de vândalos, bandidos organizados que vão aos estádios para brigar, agredir e matar - tem correspondido, lontando estádios, apesar da "liseira" e da "crise".
Na partida desta quarta-feira (23) à noite, o jovem atacante Pedro Rocha, cometeu, talvez, a maior burrice que um atleta pode aprontar em campo, em quadra, na raia, enfim. A agressão física, com intenção, a um colega de profissão não está em discussão, já que a violência dentro dos gramados - mau exemplo que explode nas arquibancadas - deveria ser julgada não mais como atitude antidesportiva, mas como crime comum, punido exemplarmente pelos tribunais.
Chorando muito e enxugando as lágrimas com o mesmo uniforme que ele arrancou do corpo ao marcar o seu segundo gol, o camisa 32 do Grêmio, por pouco, não virou vilão ao ser expulso. O jogador recebeu o segundo cartão amarelo, e em seguida o vermelho, ao cometer uma falta muito bem marcada pelo árbitro. Seria o herói da noite, mas teve o brilho apagado por um ato infantil. O príncipe virou um "cururu maldito", até o apito final do juiz.
A sorte foi que o Atlético-MG só ensaiou a reação. O galo "forte e vingador" chegou a marcar, mas tomou o terceiro e viu o sonho do título da Copa do Brasil ficar complicado, distante, tão longe quanto Pedro Rocha, que já chorou um Guaíba arrependido do quer fez. Pedro pode até ver o tricolor gaúcho campeão, mas fora das quatro linhas do Estádio Olímpico, sem suar a camisa.