Café de babaçu e doce de fava conquistam visitantes na Feira da Agricultura Familiar

Feira destaca potencial econômico da agricultura familiar no Piauí com produtos inéditos

Entre as novidades da III Feira da Agricultura Familiar do Piauí, que acontece em Teresina, estão o café de babaçu, doce de fava, receitas com carne de caju, geleias de umbu e diferentes variedades de feijão. Os mais de 300 expositores mostram como o conhecimento das comunidades rurais tem sido transformado em novos produtos e oportunidades de renda.

"Aqui não é apenas um lugar para vender produtos. É um espaço de troca de informações, de conhecimento e de inovação", resume o deputado estadual Francisco Limma (PT), um dos defensores históricos da agricultura familiar no estado. 

Segundo o parlamentar, o setor envolve mais de 600 mil pessoas no Piauí e movimenta  R$ 3 bilhões por ano, demonstrando importância econômica e social.
Um dos produtos que despertou curiosidade logo na primeira degustação foi o café de babaçu. Apesar do nome, ele não é produzido a partir dos grãos do cafeeiro, mas da amêndoa e do mesocarpo do coco babaçu, ingrediente abundante nas regiões de ocorrência da palmeira.

A novidade nasceu dentro da comunidade tradicional Vieira, em Esperantina, no Norte do Piauí, e ainda está em fase de desenvolvimento. Começou sendo produzido apenas com a amêndoa do coco. Depois, as quebradeiras passaram a incorporar também o mesocarpo, parte rica em fibras e nutrientes. Uma pequena quantidade de açúcar é utilizada apenas durante o processo de torra para desenvolver aroma e sabor semelhantes aos do café tradicional.

O produto ainda não é comercializado em larga escala. Antes disso, passará por análises laboratoriais na Universidade Federal do Piauí (UFPI), que deverão avaliar sua composição nutricional e outras características técnicas. Mesmo assim, a aceitação surpreendeu o grupo.

"Nós produzimos para consumo próprio e distribuímos algumas amostras para professores da universidade e representantes do governo. Todo mundo gostou. Hoje já temos muitos pedidos", afirma Cristiana Silva do Nascimento, quebradeira de coco. 

Atualmente,  15 mulheres da comunidade participam da produção. A expectativa é ampliar esse número após a conclusão dos estudos técnicos, permitindo a capacitação de outras quebradeiras e o aumento da escala de fabricação.

Além do café de babaçu, os visitantes também se surpreenderam com um caldo preparado com carne de caju e macaxeira, criação da produtora Wanda Lima Tito Souza, que transformou um desafio em inovação. A receita surgiu no ano passado, durante a Festa da Cajuína, quando ela foi incentivada a desenvolver um produto que valorizasse o aproveitamento integral do caju. 

Além do caldo, Wanda criou um chá gelado à base da fruta, ampliando o uso de um ingrediente tradicional da culinária nordestina. O caldo é preparado sem qualquer proteína animal. Segundo a produtora, a proposta é reduzir o desperdício e criar novas possibilidades de consumo da fruta. 

Técnica de enfermagem, Wanda afirma que buscou unir conhecimentos adquiridos na área da saúde com saberes tradicionais herdados da mãe, descendente de indígenas. Os produtos já são comercializados em feiras e fornecidos para instituições públicas e privadas da capital, enquanto a produtora se prepara para dar o próximo passo: obter a certificação necessária para ampliar a produção.

Para o deputado Francisco Limma, iniciativas como a feira ajudam a aproximar consumidores urbanos dos produtores e fortalecem cadeias produtivas que unem geração de renda, preservação ambiental e valorização cultural. 

"A agricultura familiar produz alimento saudável, preserva os recursos naturais e mantém viva uma forma de produzir baseada na diversidade", afirma o parlamentar.