Avião declarado por Zé Filho ao TRE é \"clonado\", diz documento da AN

Zé Filho Tony Trindade



De acordo com informações da ANAC e da imprensa pernambucana, no acidente saíram feridos o piloto Almir Bacelar Bazante, o co-piloto Márcio Araújo, e os passageiros Raul Henry, Décio César, Cristiano Dias e o fotógrafo Antônio Melcop. Antes de cair, o avião derrubou uma árvore e bateu no muro de um colégio. O piloto tirou das ferragens o então candidato a deputado Raul Henry, também do PMDB, ex-secretário de Educação de Pernambuco. Instantes depois, o equipamento explodiu. O acidente em Pernambuco foi noticiado até pela imprensa internacional e no site especializado neste tipo de ocorrências - www.desastresaereos.net.

O caso do avião clonado deverá gerar muita polêmica nesta última de semana de campanha eleitoral, porque Zé Filho, a mais alta autoridade do Estado, declarou um bem inexistente o que pode evidenciar crime de clonagem de avião, uma infração gravíssima, prevista em legislação federal e que atenta contra a segurança nacional.

De acordo com levantamentos da Polícia Federal, aviões clandestinos ou clonados são sempre alvos de minuciosas investigações por serem potenciais transportadores de bens ilícitos, contrabando de mercadorias, armas e tráfico de drogas.

De acordo com informações de candidatos da oposição, o avião do governador estaria sendo utilizado por ele e por sua esposa, a deputada estadual Juliana Moraes Sousa (PMDB) para viagens da campanha eleitoral em todo o estado. Ambos são candidatos à reeleição e têm visitado quase todos os municípios usando aeronave, que pode até ser o avião com o prefixo clonado.

COINCIDÊNCIA E MISTÉRIO - No dia 2 deste mês, um avião, com prefixo PT-DRO – também clonado, caiu ao tentar retornar ao campo de pouso de Piracuruca, após problemas na decolagem. O local da queda fica a cerca de 90 quilômetros de um aeroporto privado, construído por Zé Filho em sua fazenda localizada em Buriti dos Lopes.

A aeronave acidentada em Piracuruca, segundo investigações até agora reveladas à imprensa, é um clone. Após o acidente, a tripulação fugiu em uma caminhoneta e até hoje (26.09) ainda não foi identificada. Nove galões de combustível e vestígios de cocaína teriam sido encontrados dentro do avião abandonado pela tripulação.

O delegado de Piracuruca, Ricardo Oliveira, que iniciou as investigações disse que a Aeronáutica já identificou que a aeronave é realmente clonada. “Quando os técnicos fizeram a perícia, identificaram que a matricula do avião não tem nada a ver com a origem dele, e sim com de outra aeronave, que nem do mesmo modelo é”, disse.

Segundo a Aeronáutica o avião é fabricado nos Estados Unidos pode ter entrado no Brasil ilegalmente, já que não há nenhum registro dele junto a Agência Nacional de Aviação Cívil (ANAC). “Ele está totalmente irregular, com identificação de outro avião e sem nenhum registro nos órgãos responsáveis, provavelmente entrou no país através de contrabando”, afirmou o delegado Ricardo Oliveira no início deste mês, antes da Polícia Federal assumir as investigações sobre o caso.

De acordo com Lei Federal, investigações sobre casos que envolvem aviões clandestinos ou clonados são de responsabilidade da Polícia Federal. Neste caso específico que envolve o nome do governador Zé Filho, a PF deve iniciar as investigações imediatamente.

De acordo com o site Capital Teresina, em contato com a assessoria do governador Zé Filho, ouviu da assessora de Imprensa, Cristiane Ventura, e do coordenador de Comunicação Social do Governo do Estado, Tony Trindade, que eles não sabem informar se o avião declarado por Zé Filho como sendo de sua propriedade está em uso, nem a atual localização da aeronave.