Paraná tem quase 1/3 de escolas ocupadas contra reforma do ensino médio

Já são 600 as escolas públicas estaduais do Paraná ocupadas por estudantes

Já são 600 as escolas públicas estaduais do Paraná ocupadas por estudantes que protestam contra a Medida Provisória 746, que prevê uma reforma no ensino médio, e a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 241, que limita os gastos do governo federal. Ambas são iniciativas da União. Os números são do movimento Ocupa Paraná, vinculado à Upes (União Paranaense dos Estudantes Secundaristas). A Secretaria Estadual de Educação do Paraná informou que são 570 as ocupações.

As unidades de ensino ocupadas estão espalhadas em todo o Estado, mas principalmente em Curitiba e região metropolitana, que concentram pelo menos metade das ocupações. O volume total de escolas ocupadas representa em torno de 28% de todas as 2.153 mil unidades de ensino paranaenses, o que, na prática, equivale a quase um terço de todas as escolas estaduais do Paraná.

De acordo com o presidente da Upes, Mateus Santos, 18, nos próximos dias serão realizadas assembleias nos colégios para definição de lideranças que podem compor uma comitiva de diálogo com o governo estadual. Na semana passada, o governador Beto Richa (PSDB) afirmou estar disposto a abrir o diálogo com os estudantes, mas por intermédio da Upes.

Em entrevista ao UOL, Santos afirmou que aguarda ainda para esta semana a reunião com representantes do governo. O dirigente, que é bolsista em um curso pré-vestibular na capital paranaense, animador de festas infantis e garçom, aos fins de semana, disse que esse é o maior movimento de ocupação estudantil do país –São Paulo, por exemplo, teve em torno de 200 escolas estaduais ocupadas, no final do ano passado, contra a reorganização escolar proposta pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB).

"A Upes não é responsável pelas ocupações, que são espontâneas, mas as legitima, acompanha e apoia, principalmente no sentido de cobrar a derrubada dessa MP do ensino médio. Nem todos os alunos sabem os detalhes dessa MP ou dessa PEC, mas eles sabem que a flexibilização do currículo e o aumento da carga horária da forma como estão sendo impostos [na MP do ensino médio] tenta desconstruir o pensamento crítico. Não somos contra o ensino integral, mas nossas escolas hoje não têm condições estruturais para isso", destacou.

Reflexo de ocupações virá em 2018, diz Upes

Santos disse acreditar ainda que o resultado das ocupações respingue, nos próximos anos, também nas eleições estaduais.

"Os alunos são formadores de opinião e estão construindo outra visão de mundo sobre política –às vezes até com uma forma errada de ver política, a confundindo com politicagem, isso, sim, ruim; mas estão construindo". A afirmação foi feita minutos depois de o presidente da Upes ser recebido de maneira hostil por estudantes do Colégio Estadual do Paraná, o maior, da rede, e ocupado desde a semana passada. Alunos ouvidos pela reportagem reclamaram que entidades como a Upes pouco ou nada fazem fora desses períodos de crise que justifique o poder representativo delas. "Eles repelem as instituições como reflexo mesmo da crise política nacional, mas a nossa entidade tem 72 anos e representa cerca de 1,6 milhão de estudantes paranaenses –não é pouca coisa", minimizou o presidente da entidade.

De acordo com a Secretaria Estadual de Educação, além das escolas ocupadas, nas quais foi decretado recesso até o final desta semana, 5% da rede está totalmente e 18% está parcialmente paralisada em função da greve dos professores estaduais, que começou hoje. Conforme a pasta, 55% das escolas "funcionam normalmente" – o percentual restante equivale às ocupações.