Doutorando da UFPI conquista prêmio nacional com livro sobre memória cigana

Livro “O Ciganinho do Jatobá” adapta para o público infantojuvenil história marcada por violência e memória no Piauí

O doutorando Lenilson Rocha Portela, ganhou o Prêmio Nacional de Literatura Infantojuvenil para quilombolas e ciganos com o seu livro “O Ciganinho do Jatobá” e conquistou uma premiação no valor de R$15.000.

O livro publicado em 2026 adapta para a linguagem infantil, a narrativa sobre o assassinato do cigano Roldão, que com apenas 12 anos foi morto pela Polícia Militar do Piauí em 1913, a mando do então governador Miguel Rosa. O autor contou que durante o processo de escrita da obra se debruçou em pesquisas sobre a figura histórica e o local dos acontecimentos.

Houve sim uma uma busca por aprofundamento, não só na persona do Rondão, mas também na história em si, uma vez que está atrelada ao massacre. Durante o processo de elaboração, tive oportunidade de ter contato com o local onde existe um culto de maneira mais concreta, que é a cidade de Esperantina.

Cigano da etnia Calon, o escritor definiu as suas origens como algo impactante para a escolha do personagem central da trama narrativa. 

“O tema me interessa de modo muito particular, não só na dimensão acadêmica. Então, existe aí uma correlação e a partir desse elemento pessoal, que eu vi despertar para o desenvolvimento de pesquisas sobre o conteúdo na academia. Dessa maneira, houve a junção dessas duas coisas”, disse.

A obra “O Ciganinho do Jatobá”, apresenta uma narrativa que adequa essa história de luta para uma linguagem própria para o público infantojuvenil, sendo o seu diferencial, até mesmo de outras produções que tratam do mesmo assunto.

Prêmio Nacional de Literatura Infantojuvenil para quilombolas e ciganos

O Ministério da Igualdade Racial (MIR), em parceria com a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), promoveu a premiação com o intuito de reconhecer e premiar obras literárias infanto-juvenis que promovam, valorizem e preservem as tradições, conhecimentos e a diversidade cultural dos povos e comunidades tradicionais. 

Mais do que uma premiação em dinheiro, o prêmio representa um incentivo à continuidade de práticas ancestrais de oralidade e memória, e à criação de registros que assegurem a preservação das culturas quilombola e cigana para as futuras gerações.

O concurso ofertou três categorias distintas para as obras submetidas, sendo elas: Obra finalizada e que poderia ser republicada, Obra inédita finalizada e Obra inédita em finalização. A última modalidade foi a que Lenilson Portela concorreu e saiu vitorioso.