Taxação dos EUA não afeta mercado brasileiro de carnes, diz especialista no assunto

Presidente do Sindicato Nacional dos Leiloeiros Rurais (SNLR) afirma que impacto será zero para o setor interno e destaca abertura de novos mercados

O anúncio do governo dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras de carne bovina não terá impacto significativo no mercado nacional, segundo análise de Lourenço Miguel Campos, presidente do Sindicato Nacional dos Leiloeiros Rurais (SNLR). Em declarações a veículos do agronegócio, Campos classificou a medida como "uma bobagem" e garantiu que o abastecimento interno permanecerá normal.

De acordo com o especialista, com mais de 35 anos de experiência no setor, o impacto da taxação para a pecuária de corte brasileira será "zero". A avaliação se baseia no fato de que as vendas para os Estados Unidos representam apenas 1% da produção total de carne do Brasil. "É a venda para o exterior que está sendo taxada, mas o nosso mercado interno vai continuar normalmente, ninguém vai ser desabastecido e não vai faltar carne para os brasileiros", afirmou Campos, que também é diretor da Central Leilões.

Campos reconheceu que a decisão do governo de Donald Trump gerou uma onda de especulações, provocando uma queda inicial no preço do boi gordo. No entanto, ele vê essa movimentação como uma reação natural e momentânea do mercado. "A especulação já está ocorrendo. O preço do boi baixou, o que é normal também. Se eu fosse o dono do frigorífico faria a mesma coisa", disse o paulista, projetando que a situação se normalizará em breve.

Novos mercados abertos

Enquanto um mercado tradicional como os EUA ergue barreiras, a diplomacia comercial do governo Lula tem aberto portas importantes em outros países, diversificando os destinos da proteína brasileira e mitigando eventuais perdas. Recentemente, o Brasil conquistou ou expandiu acesso a mercados como:

· China: Reabertura do mercado para carne bovina brasileira, o maior importador mundial, após embargo temporário.

· México: Habilitação de novas plantas frigoríficas para exportação.

· Canadá: Ampliação do número de estabelecimentos autorizados a exportar.

· Chile: Reconhecimento do Brasil como país livre de febre aftosa com vacinação, facilitando o comércio.

· Argélia e Egito: Mercados no norte da África que têm aumentado suas importações.

Essa diversificação estratégica fortalece a resiliência do setor, reduzindo a dependência de um único comprador e garantindo a estabilidade das exportações.

Em resumo, a avaliação do setor é de tranquilidade. A taxação norte-americana, embora relevante no noticiário, é considerada um ruído de curto prazo em um setor robusto, bem estruturado e com perspectivas positivas tanto no abastecimento interno quanto na conquista de novos compradores internacionais.