Governo Federal e Congresso fecham acordo para rever IOF, taxar apostas e cortar isenções

A solução virá por meio de uma medida provisória (MP), que entra em vigor imediatamente, mas ainda precisa ser aprovada pelo Legislativo

Após intensas negociações no domingo (8), o Governo Federal e líderes do Congresso Nacional chegaram a um acordo para revisar parte do impacto fiscal causado pelo decreto que aumentou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). A solução virá por meio de uma medida provisória (MP), que entra em vigor imediatamente, mas ainda precisa ser aprovada pelo Legislativo.

Entre os principais pontos da MP estão:

As mudanças buscam compensar a queda de arrecadação prevista com a revisão do IOF, especialmente na cobrança sobre o “risco sacado”, tipo de crédito usado por empresas. A MP elimina a taxa fixa anual de 3,95% e ajusta a cobrança diária para manter coerência com o sistema de crédito atual.

Outro ponto da medida é o corte linear de ao menos 10% em benefícios fiscais não previstos na Constituição, os chamados gastos tributários. O percentual, porém, ainda poderá ser ajustado durante as discussões no Congresso. “É uma sugestão inicial”, disse o presidente da Câmara, Hugo Motta.

Haddad afirmou que a proposta foi construída em diálogo com os presidentes da Câmara e do Senado, além de líderes partidários. Medidas relacionadas à redução de despesas primárias e à tributação de criptomoedas seguem em discussão.

Com a nova configuração, o impacto fiscal estimado do decreto do IOF — R$ 19,1 bilhões em 2025 e R$ 38,2 bilhões em 2026 — deve cair cerca de um terço. A expectativa do governo é que as medidas da MP compensem integralmente essa perda. O texto ainda passará pelo crivo político no Congresso, onde poderá sofrer alterações. A decisão final caberá ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que retorna da França nesta segunda-feira (9).