O Dia Mundial do Empreendedorismo Feminino, comemorado nessa quinta-feira, 19, celebra as conquistas profissionais das mulheres e traz a reflexão sobre as dificuldades ainda enfrentadas. A data foi criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) no ano de 2014.
No Brasil, 24 milhões de mulheres são empreendedoras, com quase 10 milhões delas sendo donas de negócio. É o que mostra o último Relatório especial de Empreendedorismo Feminino no Brasil do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).
O relatório se divide em análises mulheres empreendedoras, que têm um negócio (formal ou informal) ou realizaram alguma ação, nos últimos 12 meses, visando ter o próprio negócio (formal ou informal)e mulheres donas de negócio, ou seja, que estão à frente de um negócio (formal ou informal), como empregadora ou conta própria.
O país conta hoje com grandes nomes de mulheres empreendedoras de sucesso, como Luiza Trajano, dona do Magazine Luiza, Sônia Hess, da marca e comércio de roupas Dudalina, e Chieko Aoki, CEO e fundadora da rede de hotéis Blue Tree Hotel.
Lívia Melo, analista do Sebrae Piauí, fala que o preconceito é, ainda, a barreira principal que as mulheres enfrentam nessa área e comenta que as empreendedoras buscam se capacitar mais que os homens. “No mundo das finanças, por exemplo, mais dominado pelos homens, as mulheres procuram cada vez mais por capacitação. Além disso, durante a pandemia, uma pesquisa do Sebrae indica que as mulheres inovaram mais que os homens, como em delivery de serviços. Elas tiveram um percentual de 71% de inovação, enquanto os homens inovaram 63% nesse período”, relata Lívia.
Família empreendedora no Piauí
Ana Paula Bacelar, empreendedora multicarreira, é uma das milhões de brasileiras que trabalham de maneira independente. Desde cedo, se inspirou na mãe que assumiu a loja de peças de bicicleta do seu falecido marido, e aos 18 anos, teve seu primeiro emprego com carteira assinada. Formada em Administração, hoje, Ana Paula tem uma empresa de consultoria empresarial e um projeto voltado somente para mulheres no ramo, além de ser consultora atuante na área de Inovação, Empreendedorismo e Markerting do Sebrae Piauí, sócia na hamburgueria do esposo.
Irmãs e primas são algumas das empreendedoras da família; Ana Paula Bacelar no centro da imagem
Foto: Arquivo pessoalNa família, muitas mulheres são exemplos de empreendedorismo feminino. Apesar disso, Ana Paula relata que a família a incentivou bastante para trabalhar de carteira assinada por causa das dificuldades que o mundo do empreendedorismo possui, ainda mais o feminino.
Mesmo assim, hoje, mães, tias, primas e irmãs têm empreendimentos como fornecimento de quentinhas, escritório de advocacia, creche e berçário, estúdio de pilates, rede de supermercados, lanchonete, loja de roupas e consultoria empresarial. Inclusive, Helena Silva, tia de Ana Paula e dona de lanchonete no Centro da capital antes da pandemia, inovou o seu serviço durante a pandemia ao fabricar e fornecer quentinhas de casa, com opções de delivery e retirada, especialmente nos fins de semana.
Ana Paula Bacelar acredita que a questão de empreender está no sangue, por isso tantas mulheres são exemplos de empreendedorismo em Teresina e em todo o estado, pois a família é do interior do Piauí e, atualmente, a maioria dela mora na capital. "O que me leva a empreender, a ajudar as pessoas, é ter o propósito de servir no que eu tenho de melhor. O dinheiro, na verdade, é uma recompensa", comenta.
"Sebrae Delas" é um evento digital para mulheres empreendedoras
Foto: Sebrae
Hoje, o Sebrae Nacional realiza o "Sebrae Delas", evento digital e gratuito que é parte da programação da Semana Global do Empreendedorismo, com palestras e rodadas de conversas virtuais sobre liderança, inovação, participação em redes, equilíbrio entre o aspecto pessoal e profissional, crenças limitantes, maternidade, entre outros temas.