Acordo Mercosul-União Europeia entra em vigor: entenda o que muda para o Brasil

Após 20 anos de negociações, tratado zera tarifas de 5 mil produtos brasileiros; saiba quais setores ganham fôlego e quais enfrentarão mais concorrência

Nesta sexta-feira (1º), o histórico acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia começa a ser aplicado de forma provisória. Após mais de duas décadas de conversas, a implementação será gradual, mas os efeitos práticos para o Brasil são imediatos, especialmente para quem vende produtos ao exterior. O tratado abrange cerca de 700 milhões de consumidores e prevê a eliminação progressiva das tarifas de importação sobre mais de 91% dos produtos europeus exportados ao Mercosul.

O que acontece agora?

A principal mudança é a queda de barreiras financeiras. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), mais de 80% dos produtos brasileiros enviados aos países europeus terão a tarifa de importação zerada já nesta primeira etapa.

Quem ganha no curto prazo?

Os setores que já são fortes nas exportações serão os primeiros a sentir o impacto positivo:

Quem ganha no futuro (médio e longo prazo)?

Empresas brasileiras que dependem de tecnologia e peças europeias verão seus custos caírem:

Onde estão os desafios e riscos?

Nem todos os setores terão vida fácil, já que o acordo também facilita a entrada de produtos europeus no Brasil:

Efeitos para consumidores

Para os consumidores, a expectativa é que o acordo contribua para a redução de preços de alguns produtos. Com menos tarifas e custos logísticos menores, itens como alimentos, vestuário e bens industriais podem chegar ao mercado com valores mais baixos.

No entanto, o efeito sobre os preços não é automático. Especialistas ressaltam que fatores como câmbio, custos de produção e margem de lucro das empresas também influenciam o preço final ao consumidor.

Segundo especialistas, o acordo expõe tanto as potências quanto as fragilidades estruturais do país. Enquanto os grandes exportadores comemoram, os pequenos produtores e indústrias locais precisarão de apoio governamental e modernização rápida para se adaptarem à nova realidade global.