E se a gente andasse mais a pé?

Parece consensual que sociedade e governo ajam para tornar os espaços urbanos mais adequados aos pedestres.

Teresina(PI), 28 de julho de 2022. A ideia de uma cidade em que as pessoas possam caminhar mais tem sido difundida a ponto de se ter um livro muito comentado sobre o tema, “A cidade caminhável”, de urbanista norte-americano Jeff Speck, que obviamente escreveu sua obra com base na sua experiência localizada nas cidades de seu país, assim como o flanêur de Baudelaire é uma experiência do caminhante em Paris. Mas seja qual for a visão, é adequado cada vez mais discutir a “caminhalidade” das cidades.

Não li o citado livro de Jeff Speck, não por desmerecimento ou desinteresse, mas por ser de área diferente demais da minha atuação. Porém, apreendi o conceito-base do urbanista: tornar as cidades caminháveis é fazê-las mais humanas, sustentavelmente melhores, com melhor transporte público e acolhimento para ciclistas, criando, conservando e expandindo espaços de sociabilidades, plantando mais arvores, reduzindo barreiras arquitetônicas à mobilidade.

Parece consensual que sociedade e governo ajam para tornar os espaços urbanos mais adequados aos pedestres. Mas há demandas, direito e deveres em colisão e assim criam-se as barreiras impeditivas a que se tire do campo das ideias as ações públicas e privadas que podem levar as cidades a terem mais espaços caminháveis. A arte de negociar parece preceder necessariamente a transformação da cidade em espaço cada vez mais caminhável.

O caminhar mais exige, portanto, não somente o ato preparativo do espaço físico, como a 4eliminação das barreiras físicas ou a abertura de espaços para árvores onde esses espaços estejam ocupados por construções. Estabelecer as condições arquitetônicas e urbanísticas para o espaço caminhável envolve interesses//direitos individuais e difusos, de tal sorte que medida inicial para atingir essas condições pauta-se por conversação e conciliação.

Neste caso, como evidente que o espaço caminhável favorece toda a sociedade, é bastante razoável que as cidades comecem logo a discutir os objetivos a serem alcançados com obras e ações focadas em tal objetivo. Atos preparatórios que podem agilitar os projetos de favorecimento do movimento de pedestres, tornando consensual uma ação que pode tornar mais saudável a vida das pessoas, aumentar a sustentabilidade ambiental dos espaços urbanos, ampliar e melhorar espaços de negócios e empreendimento.