O senador e pré-candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, protagonizou um dos momentos mais comentados da política internacional nesta semana durante sua passagem por Washington.
Na tarde desta terça-feira (26), Flávio conseguiu um rápido encaixe na agenda da Casa Branca para um encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Salão Oval. Acompanhado de seu irmão, o deputado Eduardo Bolsonaro, e do youtuber Paulo Figueiredo, a audiência relâmpago durou menos de dois minutos.
O registro oficial do encontro, no entanto, expôs um clima frio: a foto divulgada mostra Donald Trump sentado em sua mesa de resolução, ostentando um sorriso forçado e sem sequer se levantar para cumprimentar formalmente a comitiva brasileira, evidenciando que a entrada foi apenas uma breve interrupção em sua rotina de despachos.
O verdadeiro revés político aconteceu minutos após a rápida sessão de fotos, quando Flávio Bolsonaro organizou uma entrevista coletiva improvisada na área externa da Casa Branca para falar com um pequeno grupo de jornalistas.
Ao ser severamente questionado pela imprensa se a ida ao Salão Oval se tratava de uma agenda oficial de Estado ou de uma articulação paralela de cunho partidário, o senador tentou legitimar o ato e acabou cometendo uma gafe de proporções globais. “Foi um convite oficial a pedido do presidente Lula”, disparou Flávio. A declaração, que vinculou sua agenda de oposição ao atual mandatário brasileiro, viralizou imediatamente nas plataformas digitais, transformando a tentativa de demonstração de força política em motivo de piadas e forte deboche tanto no Brasil quanto nos bastidores diplomáticos americanos.
Entrega de documentos sigilosos e tentativa de abafar crises internas
Durante os escassos cento e vinte segundos que esteve cara a cara com o líder americano, Flávio Bolsonaro limitou-se a entregar uma pasta com documentos e relatórios. Segundo informações de bastidores, a viagem do parlamentar tinha duas pautas centrais como prioridade máxima de articulação: pressionar o governo americano pela classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas internacionais e angariar apoio externo para a narrativa de cerceamento da liberdade de expressão nas redes sociais no Brasil.
Apesar do formato apressado e da recepção protocolar de Trump, aliados de Flávio avaliam que a fotografia cumprirá seu papel de marketing político a curto prazo para o eleitorado de direita.
Estrategistas políticos apontam que a busca obstinada por essa foto com Trump no Salão Oval funcionou também como uma cortina de fumaça para tentar abafar crises domésticas que vinham asfixiando a pré-campanha do senador.
A expectativa do núcleo duro do PL é que o registro internacional ajude a dissipar, pelo menos temporariamente, o desgaste provocado pelas investigações que envolvem o empresário Daniel Vorcaro — a quem o parlamentar teria solicitado um aporte financeiro de R$ 130 milhões —, além das repercussões negativas ligadas ao polêmico documentário "Dark Horse". O caso segue gerando intensa repercussão e o Itamaraty preferiu não emitir comentários formais sobre a declaração do senador.