Presidente diz que Vale é 'uma joia brasielira' e não pode ser 'condenada'

Fabio Schvartsman afirmou todos os processos adotados pela Vale na operação de barragens serão revisados por órgão dos EUA.

Fabio Schvartsman, presidente da empresa Vale afirmou hoje (14) na comissão externa da Câmara dos Deputados, que a mineradora "é uma joia brasileira" e não pode ser condenada pelo rompimento da barragem, "por maior que tenha sido a tragédia".

Fabio apresentou as principais medidas adotadas após o rompimento da barragem e defendeu a Vale. Segundo ele, a empresa, uma das melhores que afirma ter conhecido, não pode ser condenada por causa de um único acidente.

De acordo com o Schvartsman, “todos os processos adotados pela mineradora na operação de barragens serão revisados por órgão responsável pelo licenciamento de barragens nos Estados Unidos, o U.S. Army Corps of Engineers. A Vale entrou em contato com o órgão que, além de revisar os processos, também poderá colaborar com eventuais mudanças no código de mineração”.

Durante sua apresentação, Schavartsman afirmou que a Vale nunca construiu barragens pelo modelo “a montante” que é o mesmo método da barragem que se rompeu em Brumadinho e em Mariana, em 2015.

Segundo presidente da mineradora, todas as barragens “a montante” da Vale foram compradas pela empresa após monitoramento das estruturas. A empresa tem 19 barragens construídas pelo sistema “a montante” e já anunciou que acabará com essas barragens em até três anos. Segundo a Vale, nenhuma delas está sendo usada.

A barragem da Mina do Córrego do Feijão foi construída pela Farteco e depois adquirida pela Vale. “É importante registrar que a Vale existe há 70 anos. O primeiro acidente de barragem da Vale aconteceu agora em Feijão. Feijão não foi construída pela Vale. A Vale não utiliza o método de construção a montante em barragem nenhuma”, afirmou.

O rompimento da barragem em Mariana (MG), em 2015, ocorreu na estrutura da mineradora Samarco, empresa formada por uma sociedade entre a Vale e a australiana BHP.

Indenizações

Na reunião, o presidente da Vale voltou a dizer que a companhia não vai judicializar o processo de pagamento de indenizações e que quer acelerar o pagamento para as famílias atingidas.

“A Vale quer acelerar esses pagamentos de indenizações. A gente não vai optar por judicialização, vamos optar por acordo”, afirmou.

Em assembleia na noite desta quarta-feira (13) em Brumadinho, parentes de vítimas, empregados e terceirizados da Vale atingidos pelo rompimento da barragem rejeitaram o acordo proposto pela mineradora. Segundo o último balanço da Defesa Civil, 166 mortes foram confirmadas e 155 pessoas continuam desaparecidas.