Pesquisa revela desigualdade na inclusão digital no Brasil

Comunidade do Pilar enfrenta barreiras tecnológicas ao lado do Porto Digital, no Recife

A inclusão digital no Brasil avança, mas ainda enfrenta significativos desafios de desigualdade. Em Recife, Pernambuco, a Comunidade do Pilar ilustra bem esse cenário, convivendo com a segregação digital ao estar ao lado do moderno Porto Digital, um dos principais polos de tecnologia do país.

A líder comunitária Ana Cláudia Miguel expressa a frustração local: “Mora-se no polo tecnológico, mas com déficit de tecnologia”, diz, apontando a disparidade entre o bairro e o Porto Digital, que em 2025 faturou R$ 7,4 bilhões. Essa diferença tecnológica destaca o enorme desafio enfrentado pelo Brasil para garantir uma inclusão digital de qualidade.

Dados da PNAD-TIC 2026 mostram que, enquanto 90,5% dos brasileiros usaram a internet em 2025, a qualidade do acesso é muito desigual. Apenas 86% dos domicílios têm banda larga fixa, deixando muitos dependentes de dados móveis limitados. Essa situação dificulta o acesso a serviços essenciais.

Flávia Lefrève, advogada especialista em telecomunicações, critica essa limitação, considerada ilegal pelo Marco Civil da Internet, já que impede muitos de exercerem sua cidadania digital plena.

Na Comunidade do Pilar, programas como o Pilar Universitário oferecem facilidades para o ensino superior, mas a falta de infraestrutura tecnológica, como computadores, ainda impede jovens como Eurídize Lima de Santana de concluir seus estudos.

Analisando a situação, Pierre Lucena, presidente do Porto Digital, reconhece a dívida social existente, refletida num contraste incômodo até para as instituições tecnológicas próximas ao Pilar. Como ressalta Ana Cláudia: “Estamos perdendo os jovens para o mundo ilícito por falta de oportunidades”.