Nova espécie de ave é descoberta no Brasil e já está ameaçada

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Uma nova espécie de ave que só ocorre no Brasil foi descoberta por ornitólogos da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC/RS), com apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. O estudo, conduzido por Márcio Repenning e Carla Suertegaray Fontana, foi publicado no periódico norte-americano The Auk – American Ornithologists’ Union após mais de oito anos de pesquisas.



Até então se acreditava que a patativa-tropeira (Sporophila beltoni) era da mesma espécie que a já conhecida patativa-verdadeira (Sporophila plumbea). Porém, após uma pesquisa financiada também pela Fundação Grupo Boticário, percebeu-se que ela possuía características que a diferenciavam das outras, tratando-se de uma nova espécie. “A ave recém-descoberta possui plumagem e canto diferentes, além de usar seu habitat de forma própria”, explica Repenning. O nome popular da nova espécie é alusivo aos limites da área de reprodução e regiões por onde a ave migra. Essas áreas coincidem com as regiões da rota que os tropeiros utilizavam no Sul do país, desde o século XVIII, para conduzir rebanhos e carne seca que seriam comercializados no Sudeste brasileiro.



A patativa-tropeira ocorre desde o nordeste do Rio Grande do Sul até Minas Gerais, nos biomas Mata Atlântica e Cerrado. Porém, apesar de ter como distribuição uma extensão razoavelmente grande, incluindo diversos estados brasileiros, essa espécie já ‘nasce’ ameaçada. Um dos motivos dessa realidade é porque a reprodução da espécie acontece nos campos naturais em bom estado de conservação das regiões altas e montanhosas do Sul, como os Campos Gerais do Paraná, o Planalto Catarinense e os Campos de Cima da Serra do Rio Grande do Sul, sempre em áreas junto da Floresta com Araucárias, ecossistema bastante ameaçado.



Após o período de reprodução (de novembro a março), a chegada do frio mais rigoroso no Sul faz com que o capim utilizado pela patativa-tropeira não frutifique mais. Com a redução na disponibilidade do alimento, a ave migra temporariamente para o Bioma Cerrado, em áreas de Minas Gerais principalmente, permanecendo na região de abril a outubro.