Jovem internada por dependência da internet completa um mês de tratame

garota internada dependencia internet

 Agora, sem tremor nas mãos, pela sensação imaginária de estar carregando um celular, Lucélia Cristina Paes, de 26 anos, segue, com sucesso, o tratamento contra a dependência da internet, no Centro Terapêutico Araçoiaba, em Araçoiaba da Serra (SP).

Há um mês internada na clínica especializada, a jovem já consegue compreender a gravidade de seu problema e admite que precisa de mais tempo para se fortalecer, física e psicologicamente, antes de receber alta do tratamento. Os sintomas de depressão e baixa autoestima já não fazem mais parte do cotidiano da jovem, que, hoje, refaz seu circulo de amigos, substituindo os virtuais pelos reais.

Mesmo precisando de remédios e vitaminas para conseguir dormir e se alimentar adequadamente, Lucélia já perdeu a impressão de ter constantemente, nas mãos ou nos bolsos, um telefone celular. “Nos primeiros dias do tratamento, eu ainda sentia o celular vibrando”, revela. De acordo com a psicóloga do Centro Terapêutico Araçoiaba, Ana Leda Bella, que acompanha o tratamento da jovem, os sinais de recuperação apresentados por Lucélia são positivos. “Quando chegou à clínica, ela tremia muito as mãos e não podia ver um celular, que tinha calafrio. Agora, com a compreensão sobre o problema e a aceitação do tratamento, é possível verificar sinais claros de melhora”, comenta.

Conforme contou a jovem, o fim do casamento abriu as portas para que ela entrasse, definitivamente, no mundo virtual, de que tinha acesso, primeiramente, pelo computador e, após, pela tela de um smartphone. “Eu e meu marido brigávamos para ver quem ficaria no computador. Ele viu que eu não dava mais atenção nem para meus filhos e pediu o divórcio”, conta Lucélia. Após este acontecimento, que foi há cerca de cinco meses, o tempo em que a jovem permanecia conectada à internet, conversando com amigos virtuais, em salas de bate-papo e aplicativos de voz, só aumentou. “Eu comprei um celular e passei a virar noites acordada. Não sentia fome e até me esquecia de tomar banho.”

Durante a rotina do tratamento, Lucélia conquistou amizades e, nas reuniões de partilha na clínica, explica aos outros pacientes a seriedade da sua dependência. “O caso da Lucélia é difícil de ser superado, pois, ao sair da clínica, ela terá acesso a um celular com mais facilidade do que um ex-dependente químico terá às drogas”, explica a psicóloga. No entanto, a meta da jovem é conseguir voltar para casa e viver de forma saudável, ao lado dos filhos, de 2 e 6 anos, que atualmente estão sendo cuidados pelos avós. “Quero ensinar para eles como usar a internet, sem se tornar dependente. É algo importante hoje em dia, mas é preciso moderação”, adverte.

Em apoio ao tratamento, Lucélia pratica laborterapia, como os outros pacientes da clínica, que é uma forma de estimular a reflexão. “Entre as atividades que ajudam a Lucélia no tratamento está a de escrever no papel, à caneta, coisa simples que ela já não fazia mais”, explica a psicóloga. Para a jovem, que perdeu o emprego de auxiliar de cozinha e emagreceu 30 kg por conta do vício em internet, este primeiro mês está apenas mostrando o caminho a ser seguido, mas ela sente que precisa de mais tempo de internação, além dos quatro meses previstos para o caso. “Não me sinto pronta para sair ainda. Por isto, quero completar meu tratamento e sair daqui bem fortalecida.” O Centro Terapêutico Araçoiaba fica no km 124 da Rodovia Raposo Tavares, em Araçoiaba da Serra (SP).