Dinheiro desviado bancava coquetéis na sede do governo de Goiás

Era usado até para bancar coquetéis no Palácio das Esmeraldas

O procurador da República Mário Lúcio Avelar afirmou que o dinheiro da Companhia de Saneamento de Goiás (Saneago) "era usado até para bancar coquetéis no Palácio das Esmeraldas", sede do Executivo estadual.

Segundo o procurador, empreiteiras pagavam propinas para obter contratos com a Saneago. A Polícia Federal realiza nesta quarta-feira a "Operação Decantação" para desarticular uma quadrilha responsável pelo desvio de R$4,5 milhões em recursos federais por meio da companhia. 

"A má gestão ficou caracterizada pela inexecução de obras iniciadas em 2007, mas que até agora não foram concluídas", disse o procurador, que integra a força-tarefa da operação.

O presidente da Saneago, José Taveira Rocha, e o presidente estadual do PSDB, Afreni Gonçalves, foram presos pela PF nesta quarta-feira. Gonçalves é diretor de Expansão da companhia.

Em nota, o governo de Goiás informou que "está inteiramente à disposição das autoridades para quaisquer esclarecimentos". O Estado ainda destacou que acredita na "idoneidade dos diretores e superintendentes da companhia".

"Os procedimentos licitatórios realizados pelos órgãos, autarquias e empresas da administração estadual são pautados pela legalidade e pela transparência", diz a nota. "O Governo de Goiás acredita na idoneidade dos diretores e superintendentes da companhia e tem a plena certeza de que os fatos apresentados serão plenamente esclarecidos."

Os recursos ilícitos, disse o procurador Avelar, também eram destinados ao financiamento de partidos políticos e ao pagamento de dívidas de campanha, segundo informou o jornal "O Popular".

O procurador integra a força-tarefa da Operação Decantação, que investiga desvios de recursos públicos federais oriundos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), de financiamentos do BNDES e da Caixa.