Comunicadores do Piauí (jornalistas, radialistas, publicitários, blogueiros, profissionais de Relações Públicas, artistas, intelectuais, professores e estudantes de comunicação) lançam, nesta quinta-feira 07 de abril, uma manifesto em defesa da democracia e contra a tentativa de golpe parlamentar.
Até às 17 horas desta quarta-feira (06.04.16), mais de 220 profissionais tinham assinado o manifesto, mas os organizadores acreditam que até quinta-feira esse número passará de 300. A posição deles se coaduna com a da Federação Nacional dos Josnrelistas e várias outras entidades e é contrária à do Sindicato dos Jornalistas do Piauí, que defende o impeachment da presidente.
O ato vai acontecer no Plenarinho da Assembleia Legislativa, a partir das 10 horas, e contará com o apoio de parlamentares como os deputados estaduais João de Deus Sousa, líder do Governo na Assembleia, e Flora Isabel, lideranças comunitárias, representantes de movimentos sociais e cidadãos contrários ao golpe contra a presidente Dilma Roussef e o Estado CDemocrático de Direito.
Após uma breve apresentação, será lido o Manifesto em Defesa da Democracia, documento redigido e assinado pelos profissionais que integram esse movimento contrário ao golpe e também em defesa do Estado de Direito e do mandato da presidente Dilma Rousseff.
A expectativa dos organizadores é a de que o movimento dos comunicadores piauienses receba o apoio de diversos segmentos da sociedade. A mensagem começa com a apresentação dos integrantes do movimento, que se define como grupo suprapartidário.
O manifesto faz uma contextualização histórica do atual momento político: “não é a primeira vez, na história republicana do Brasil, que os comunicadores são obrigados a se pronunciar pela salvaguarda das conquistas sociais, das políticas públicas e das garantias democráticas”.
O documento adverte também para os riscos de um retrocesso autoritário no País. “Três décadas após o fim do regime militar, nos vemos novamente sob a ameaça do autoritarismo. A cada dia, crescem os indícios de que está em curso um golpe de estado contra a presidente Dilma Rousseff, eleita de forma legítima”
O comunicadoes dizem também que a "despeito de qualquer crítica que se faça a seu governo, não se apresenta nenhum fato que dê base legal a um pedido de impeachment.” Críticas contundentes, por sua vez, são feitas à oposição. “Parlamentares que acumulam denúncias de corrupção e alguns dos principais partidos políticos do País já contabilizam votos no Congresso Nacional, com esse intuito e negociam abertamente um futuro governo, num clima de golpismo institucionalizado.”
Os comunicadores, no Manifesto, reforçam o apoio ao combate à corrupção, mas criticam a Lava-Jato. “Em nome do combate à corrupção, a Operação Lava-Jato atropela garantias constitucionais duramente conquistadas, como a neutralidade do Judiciário, o direito ao devido processo legal e a presunção de inocência.”
E advertem quanto à incitação do ódio na sociedade. “A hostilidade crescente nas redes sociais extravasa para as ruas, e o convívio plural e civilizado no espaço público, que em tempos recentes havia avançado bastante, já se turva. Queremos romper esta teia de ódio!”
Entre outros aspectos, o Manifesto critica duramente a forma com que a mídia está cobrindo este momento da vida nacional. “Como comunicadores, denunciamos o papel nefasto que as grandes empresas de comunicação têm desempenhado na presente crise.
Beneficiadas pela falta de regulamentação do artigo 220 da Constituição, que proíbe os monopólios no setor, utilizam sua posição no controle da mídia como ponta-de-lança na ofensiva política contra o Governo Federal, em defesa dos interesses econômicos das elites nacionais e estrangeiras e dos partidos políticos que as representam.”