O Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU), divulgado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), recomenda 187 projetos que podem expandir em mais de 3 mil quilômetros o transporte público nas 21 regiões metropolitanas mais populosas do Brasil.
O investimento total necessário para estes projetos foi estimado entre R$ 400 bilhões e R$ 430 bilhões. Desenvolvido em parceria com o Ministério das Cidades, o estudo cobre um período de execução de 2024 a 2026, estruturando projetos com um horizonte de 30 anos.
Esses projetos visam não apenas melhorar a infraestrutura e a qualidade de vida dos usuários, mas também proporcionar maior segurança no trânsito, gerar empregos e reduzir as emissões de CO₂ na atmosfera.
As iniciativas incluem a expansão de metrôs, trens urbanos, BRTs, VLTs e corredores de transporte. Em Belo Horizonte (MG), está planejada a ampliação da rede de transporte de 84,2 km para 314,1 km, um investimento de R$ 35,6 bilhões.
O BNDES poderá usar o Fundo Clima para financiar esses projetos, que buscam reduzir emissões e enfrentar mudanças climáticas. Segundo Nelson Barbosa, diretor de Planejamento do banco, os projetos ajudarão no planejamento governamental e local.
O ministro das Cidades, Vladimir Lima, descreveu o estudo como um marco para as cidades brasileiras, comparando-o a um novo "programa Minha Casa Minha Vida" para a mobilidade urbana.
A superintendente de Soluções para Cidades do BNDES, Luciene Machado, destacou que o estudo busca romper ciclos viciosos de falta de investimento, podendo aumentar investimentos anuais de mobilidade urbana para 0,25% do PIB.
Os projetos podem reduzir em 15% o tempo de viagem e evitar mais de 27 mil vítimas anuais em sinistros. A implementação deve gerar até 1,3 milhão de empregos anualmente e demanda por milhares de novos veículos de transporte público.
Quase 80% dos investimentos esperados vêm de recursos públicos, com o restante de parcerias privadas. O objetivo é atingir uma rede de transporte integrada e eficaz.