A cada 17 horas, ao menos uma mulher foi vítima de feminicídio em 2024

Nove estados registraram 531 mortes por razão de gênero

Em 2024, uma mulher foi morta por razão de gênero a cada 17 horas nos nove estados monitorados pela Rede de Observatórios da Segurança. O total de feminicídios foi de 531 vítimas, sendo que, em 75,3% dos casos, os autores eram pessoas próximas, e, se considerados apenas parceiros ou ex-parceiros, esse índice sobe para 70%.

O boletim "Elas Vivem: um Caminho de Luta", divulgado em 13 de março de 2025, revela que, ao longo do ano, pelo menos 13 mulheres foram vítimas de violência a cada 24 horas nesses estados. O número total de mulheres afetadas pela violência foi de 4.181, representando um aumento de 12,4% em relação a 2023.

Embora o Brasil tenha registrado avanços nas políticas públicas de proteção, como as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) e a Lei Maria da Penha, o cenário de violência contra as mulheres permanece alarmante. A pesquisadora Edna Jatobá destaca que, apesar das melhorias, as políticas de assistência ainda são frágeis, o que contribui para o aumento contínuo dos números.

Aqui estão os números de violência e feminicídios em cada estado monitorado:

  • Amazonas: 604 casos de violência e 33 feminicídios.
  • Bahia: 257 casos de violência e 46 feminicídios.
  • Ceará: 207 casos de violência e 45 feminicídios.
  • Maranhão: 365 casos de violência e 54 feminicídios.
  • Pará: 388 casos de violência e 41 feminicídios.
  • Pernambuco: 312 casos de violência e 69 feminicídios.
  • Piauí: 238 casos de violência e 36 feminicídios.
  • Rio de Janeiro: 633 casos de violência e 63 feminicídios.
  • São Paulo: 1.177 casos de violência e 144 feminicídios.

O Amazonas entrou para o monitoramento em 2024, registrando 604 casos de violência e 33 feminicídios, com 84,2% das vítimas de violência sexual sendo crianças e adolescentes.

A Bahia observou uma redução de 30,2% nos casos de violência, mas Salvador ainda foi a cidade com o maior número de incidentes.

O Ceará enfrentou o pior cenário em sete anos, com aumento de 21,1% nos casos de violência, totalizando 207 ocorrências. A maioria das vítimas foi agredida por parceiros ou ex-parceiros.

O Maranhão teve um aumento alarmante de 90% nos casos de violência, com 365 vítimas e 54 feminicídios, sendo que a maioria das vítimas tinha idades entre 18 e 39 anos.

O Pará registrou um crescimento de 73,2%, com 388 casos de violência. A maioria dos crimes foi cometida por parceiros ou ex-parceiros.

Pernambuco apresentou uma leve queda de 2,2% nos casos de violência, mas continuou com altos índices de feminicídios, com 69 ocorrências.

O Piauí teve um aumento de 17,8% nos crimes, com 36 feminicídios registrados. A capital Teresina foi a cidade com maior número de ocorrências.

O Rio de Janeiro viu um pequeno aumento de 1,9% nos casos de violência, com 633 registros, e altos números de feminicídios e tentativas de feminicídio.

São Paulo foi o estado com o maior número de casos de violência, registrando 1.177 casos e 144 feminicídios, com a maioria cometida por parceiros ou ex-parceiros.

O boletim reforça a importância de melhorar as políticas públicas e a transparência dos dados para que se possa combater de forma mais eficaz a violência de gênero no país.