Politicagem, visão pequena de mundo e "economia de palito" cancelaram show de Alok

Decisão liminar atende meia dúzia de descontentes e faz o estado perder oportunidade única de visibilidade e renda; artista se apresenta no mundo todo, mas é barrado no Piauí em nome de uma “economia de palito”

A notícia caiu como um balde de água fria sobre os piauienses que se preparavam para viver um dos maiores eventos artísticos já presenciados no estado. Caravanas de quase todos os municípios do Piauí e de estados vizinhos já estavam a caminho de Teresina para prestigiar o show gratuito do DJ Alok, marcado para este sábado (25) na zona Sudeste da capital. No entanto, uma decisão judicial liminar, tomada na sexta-feira (24), suspendeu o megaevento, gerando perplexidade e revolta em milhares de pessoas .

A decisão, que atende a uma ação popular movida por uma jornalista, é vista por amplos setores da população e da política local como um ato de pura politicagem. O argumento jurídico se baseia no valor do patrocínio público de R$ 1,8 milhão pela Secretaria de Turismo do Estado, considerado um "risco ao erário" pelo juiz Litelton Vieira de Oliveira. Porém, na prática, a suspensão escancara uma triste realidade: o Piauí continua refém de uma visão pequena de mundo, onde meia dúzia de descontentes políticos, a serviço de interesses oposicionistas, age deliberadamente para atrapalhar o desenvolvimento do estado.

Enquanto os políticos da oposição, como o pré-candidato ao governo Joel Rodrigues (PP), usavam o palco do caos para “querer aparecer” e tirar proveito político da situação, a voz que ecoava nas ruas era a mesma: a de que o cancelamento foi movido por interesses mesquinhos.

“Tudo politicagem. Se o governador Rafael Fonteles não tivesse aparecido ao lado do Alok, o povo da oposição não tinha ficado com ciúmes. Foi só ciúmes e politicagem”, afirmou um ambulante que montava sua barraca nas próximidades de onde está montado o palco e a grande estrutura para o evento.

Economia de palito

Enquanto a Justiça e os opositores comemoram a suspensão em nome de uma suposta “defesa do dinheiro público”, a realidade econômica e social de Teresina mostra o tamanho do prejuízo. Hotéis estavam lotados, ambulantes se preparavam para um fim de semana de trabalho e alta lucratividade, e a cadeia produtiva do evento, que envolve mais de 1.500 profissionais, respirava expectativa.

Tudo isso foi jogado “por água abaixo” em nome de uma economia de palito. O argumento de que o show prejudicaria investimentos em áreas como saúde e educação é frágil, pois ignora o efeito multiplicador do evento. A produtora Kalor Produções, responsável pelo show, destacou que o aporte público é apenas uma contrapartida para um evento privado de altíssimo custo, e que o investimento total é significativamente superior ao valor patrocinado pelo governo. Modelos como este são usados no Rock in Rio e no Lollapalooza, que geram lucros e empregos, ao invés de prejuízos. O show traria muito mais lucros do que prejuízos ao estado, injetando recursos na economia local e projetando uma imagem positiva do Piauí.

Um artista global, uma decisão provinciana

O DJ Alok, um dos maiores artistas do mundo na sua especialidade, eleito quatro vezes o melhor da América Latina e com mais de 70 milhões de seguidores, se apresenta em todo lugar do mundo sem problemas. Sua turnê “Aurea” já passou com estrondoso sucesso por cidades como Rio de Janeiro, Brasília e Belém, sempre com estrutura faraônica e público massivo. Recentemente, ele foi a grande atração das comemorações dos 64 anos de Brasília, reunindo uma multidão na Esplanada dos Ministérios.

No entanto, só no Piauí, um estado que clama por oportunidades, um grandioso espetáculo é proibido. A decisão judicial não apenas causa um prejuízo incalculável aos cofres públicos (com estruturas já montadas e contratos assinados), mas mancha a imagem do estado e do artista, que nada tem a ver com essa disputa política provinciana. Em outros lugares, Alok é recebido como herói e gerador de negócios; no Piauí, foi barrado por uma visão tacanha que prefere o “status quo” do atraso ao risco do progresso.

Uma oportunidade única jogada no lixo

Esta era uma oportunidade única de mostrar o Piauí para o mundo. A megaestrutura de 30 metros de altura, o show de drones que escreveria o nome do estado no céu, e a cobertura da imprensa nacional e internacional dariam ao Piauí uma vitrine que nenhuma campanha institucional seria capaz de comprar.

A população, que aguardava ansiosamente por esse momento de lazer e cultura, fica agora com a frustração. Os ambulantes, com os alimentos perecíveis que iam doar e vender. Os hotéis, com os quartos vazios. O Piauí fica com a imagem arranhada, mais uma vez, como um lugar onde a política do “nós contra eles” e a falta de visão de futuro sempre vencem a razão e a vontade do povo.

Enquanto os “descontentes políticos” acham que ganham, o povo do Piauí perde.