Entre 1980 e 1983 – portanto há mais de 40 anos – fui um dos estudantes do Colégio São Francisco de Sales, o Diocesano, escola confessional mantida pela Companhia de Jesus. Lá fiz meus estudos secundários e aprendi com os padres jesuítas alguns princípios norteadores absolutos em minha vida, como a solidariedade como um valor fundamental.
O Diocesano, que atravessa seis gerações de estudantes formados em suas salas de aula, é bem mais que somente uma escola. Há nele um sem número de histórias; há pessoas que saíram de suas salas para se constituírem como expoentes em suas atividades profissionais e, em muitos casos, para se tornarem pessoas públicas que promoveram transformações positivas na vida da cidade e do estado do Piauí.
É forçoso que nos lembremos de alguns dessas destacadas personalidades públicas, muitos já idos, entre os quais relaciono Petrônio Portella, Djalma Veloso, Dirceu Arcoverde – todos eles governadores do Piauí e, no caso do primeiro, um pensador e operador político que moldou a institucionalidade do país na primeira metade do século XX.
Citem-se ainda os nomes de Flávio Marcílio, deputado federal pelo Ceará e ex-presidente da Câmara dos Deputados; o ex-prefeito de Teresina, Firmino Filho; o grande jurista e ex-deputado federal Celso Barros Coelho e do humorista João Cláudio Moreno, bem mais que somente um homem dotado do dom de fazer ri, sendo um respeitável intelectual, capaz de nos levar a reflexões a partir de suas ideias e conhecimentos.
Se há razões para celebrar a inteligência acolhida nas salas de aula do Diocesano e que ganhou mais visibilidade, muito mais há que se comemorar todas as demais inteligências não menos importantes e que, sem alarde, fizeram construir boas coisas ao longo desses 120 anos. Pessoas médicas, engenheiras, advogadas, jornalistas, contadoras, cientistas, professoras etc. saíram das salas de aula do Diocesano para salvar vidas, construir obras que melhoram suas cidades, promover a justiça, difundir informações, estabelecer transparência em contas públicas e privadas, criar ciência e tecnologia, ensinar...
Com muita alegria faço parte dessa longa história não somente de sucesso em ensinar, mas, sobretudo, de criar pessoas cidadãs. Sou das turmas que teve entre seus guias o padre Ângelo Imperiali, que se tornou diretor do Diocesano antes mesmo de seu ser nascido, em 1964, voltando a reger a escola entre 1979 e 1986 e que seguiu um padrão de excelência e compromisso de homens bons e ligados à fé e à cultura, a exemplo do historiador Joaquim Chaves, egresso da escola, seu dirigente na década de 1940, e de Paulo Hipólito de Sousa Libório, primeiro piauiense a tornar-se bispo.
Em minha passagem pela escola, muito pude aprender com os padres Luciano Ciman, Mozena, Irmão Guido, Hilário, cujas sabedorias e os saberes partilhados entre seus orientandos me foi de fundamental importância, como bússola para aprendizado e para a vida.
Assim, em mim e em milhares de estudantes passados pelo Diocesano, preciso e devo reconhecer essa instituição de ensino na condição de formadora de pessoas cidadãs, de líderes em suas comunidades, instituições ou sociedades profissionais. Pessoas que fizeram e fazem a diferença.
É muito reconfortante saber que uma escola com 120 anos de fundação firma-se na tradição do ensino e projeta-se para o futuro, abraçando sempre o conhecimento como guia e os valores humanísticos como bastião que faz dela uma instituição absolutamente necessária desde sempre.