Carnaval pacífico

Um dos pontos mais discutidos neste período carnavalesco é a segurança do folião. Com a violência tornando-se rotina, avanço da criminalidade e aumento do uso de substâncias entorpecentes proibidas ou não, uma festa que deveria ser motivo para alegria, descontração e celebração da paz termina por nos trazer inquietação, sensação de insegurança e abandono.

Mesmo com o grande esforço da segurança pública em tentar reduzir os índices de criminalidade, o carnaval termina se transformando em palco de pequenas tragédias, num ambiente em que a permissividade proporciona crimes contra o patrimônio e no qual também podem ser registrados abusos contra as mulheres. Mas não deveria ser assim. O que deve reinar é a paz, a alegria, a descontração e a proteção coletiva, um cuidando do outro para evitar que a violência se sobreponha à tranquilidade.

Aliás, acerca disso, vale a pena destacar que o Corso realizado no sábado do Zé Pereira, em Teresina, foi alegre e sem maiores altercações. É necessário destacar que houve, sim, um policiamento ostensivo, que ajudou a produzir dados positivos quanto à segurança da festa, permitindo às pessoas a necessária sensação de segurança. Porém, mais do que polícia na rua, o que faz uma segurança é a consciência de cada um sobre uma festa de rua como o carnaval ser um momento para a alegria, não para a briga, num espaço em que deve haver esforço coletivo para a tranquilidade, com todo mundo cuidando de todo mundo, fazendo festa, não guerra.

É evidente que não seria razoável ou mesmo podemos dizer que se torna ingênuo supor que a violência pode ser debelada apenas pela vontade das pessoas. Contudo, ajuda bastante se cada um fizer sua parte de brincar o carnaval vestindo-se de paz e alegria, desarmando os espíritos belicosos.

Mesmo que o país viva uma estranha crise de insegurança, com aumento da criminalidade, que tanto assusta quanto nos acua, não podemos perder a fé em nossa capacidade de reagir enquanto sociedade e civilização. Não é razoável que os surtos de atos violentos como os ocorridos no Espírito Santo tire dos brasileiros a mais espontânea de suas qualidades, a alegria de celebrar a vida durante o carnaval.

Nossa esperança é que este Carnaval transcorra em paz, na expansão da alegria, nos bailes e desfile, no sonho de felicidade de um povo que merece ser feliz de atravessamos problemas na economia, na saúde, nos transportes, na educação, já com o esforço de todos será passível vencer o imponderável. O que preocupa mais são os problemas acima, cuja solução depende da vontade de empenho de todos, mais a integridade física da população, ameaçada pela ação de criminosos.

Esperamos que neste carnaval iniciemos um processo de retomada da paz social, pois um povo em pânico não tem alternativa.   Precisamos de luz, precisamos de paz, precisamos de esperança para enfrentar os dilemas que nos oprimem.

A folia é um momento para que se exploda os problemas em meio a uma festa, ainda que essa felicidade acabe na quarta-feira de cinzas. Entretanto, que as cinzas não sejam por tristeza do fim rápido da festa e sim da violência. Terminar o carnaval em paz, apenas com cansaço e ressaca é tudo que a gente espera que ocorra.