Educação de meninos é essencial para não criar homens violentos, diz psicóloga

Discussão destaca o papel da família e da escola na formação de homens mais conscientes e no enfrentamento da violência de gênero

A educação de meninos desde a infância é uma das principais estratégias para prevenir a violência contra a mulher, segundo a psicóloga Liana Gonçalves. O tema foi destaque no podcast Mulher Mais, que discutiu como valores familiares, cultura e diálogo influenciam diretamente no comportamento masculino na vida adulta.

Durante a conversa, a psicóloga destacou que falar sobre violência é essencial para romper o silêncio que mantém muitas vítimas em sofrimento. “Falar sobre isso é quebrar principalmente o silêncio que mantém a violência”, afirmou. Segundo ela, quando uma mulher compartilha sua experiência, outras conseguem se identificar e buscar ajuda.

A especialista reforçou que a formação do comportamento começa ainda na infância. “É na infância que a gente se faz homem e mulher”, disse. Para ela, não basta orientar verbalmente: o exemplo dentro de casa é determinante. “As palavras convencem, mas os exemplos arrastam”, pontuou, ao destacar que crianças expostas à violência tendem a reproduzir esses padrões.

Apresentadoras Natalia Costa e Ozeli Santos, psicóloga Liana Gonçalves | Foto: Piauí Hojee

O debate também abordou o papel da família e da escola na formação de valores. Além dos pais, a educação formal é vista como peça-chave nesse processo. “As escolas precisam entrar nessa luta conjunta”, afirmou a psicóloga, ao defender ações educativas que promovam respeito, empatia e diálogo desde cedo.

Outro ponto levantado foi a influência da cultura patriarcal, que ainda reforça padrões prejudiciais tanto para mulheres quanto para homens. Segundo a psicóloga, ensinar que “homem não chora” ou que precisa ser sempre dominante dificulta o desenvolvimento emocional saudável. “O homem é impedido de sentir e isso é muito ruim”, destacou Liana Gonçalves.

A psicóloga também falou da importância de incluir homens adultos no processo de mudança. Ela citou a existência de grupos reflexivos voltados a autores de violência, que buscam promover o reconhecimento de comportamentos abusivos. “Se a gente não reconhece os erros, não tem transformação”, afirmou.

Para os pais, a principal orientação é simples, mas essencial: presença e diálogo. “Escutar, estar atento ao que está acontecendo na vida dos filhos.  Só nota boa não é sinal de nada”, recomendou.

O episódio reforça que combater a violência contra a mulher passa, necessariamente, por mudanças estruturais na forma como meninos são educados — dentro de casa, na escola e na sociedade.

Assista o podcast completo: