A Polícia Federal (PF) realizou, na manhã desta quarta-feira (8), uma operação de busca e apreensão na residência do ex-presidente Jair Bolsonaro, no Jardim Botânico, em Brasília. O alvo da diligência, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), era localizar armas, munições, acessórios e documentos de registro que, segundo a Justiça, deveriam ter sido entregues, mas cuja localização ainda gerava "divergências".
Para o espanto de muitos e a conveniência de outros, nenhum armamento foi encontrado durante a ação, segundo a defesa do ex-presidente. A notícia, no entanto, parece não ter sido motivo de alívio, mas sim de combustível para o vitimismo da família Bolsonaro, que mais uma vez acionou o manual de defesa padrão.
Rapidamente, os filhos Carlos, Eduardo e Flávio Bolsonaro usaram as redes sociais para classificar a operação como um "absurdo" e ecoaram o velho e gasto discurso de "perseguição política" e "tortura" contra o patriarca. É o enésimo capítulo da novela onde a família sempre se vê como a vítima da história, um papel que, convenhamos, já virou rotina.
Esquecem-se, no entanto, de um pequeno detalhe: Jair Bolsonaro está preso. Sim, em prisão domiciliar, mas preso. E a lei, aquela coisa chata que eles tanto ignoram quando lhes convém, é clara: um detento não pode ter armas na cela. Se a cela for em casa, a regra é a mesma. A permanência de armamentos sob posse de um condenado é incompatível com a prisão domiciliar, como diz o próprio ministro Alexandre de Moraes.
Por que a PF foi à casa de Bolsonaro?
Longe de ser uma "caça às bruxas" como a família gosta de alardear, a operação teve motivações claras e objetivas. O estopim foi a apreensão, em junho, de uma pistola registrada em nome de Jair Bolsonaro que estava em poder de um militar do Exército durante uma blitz no Distrito Federal.
Diante do fato, o ministro Alexandre de Moraes determinou que todas as armas registradas em nome do ex-presidente fossem entregues aos órgãos competentes. A defesa entregou a maior parte do arsenal, que incluía pistolas, carabinas e fuzis, mas a conta não fechou. Faltaram uma espingarda e uma pistola, gerando a "divergência" que motivou a busca desta quarta-feira.
Na sexta-feira da semana passada (04/07), Moraes já havia decidido manter Bolsonaro em prisão domiciliar, mas, na mesma decisão, revogou o registro de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC) do ex-presidente e ordenou a apreensão imediata de todo o seu arsenal. O fundamento é simples: com uma condenação criminal, Bolsonaro perdeu os requisitos de idoneidade para manter o porte de armas.
A busca desta quarta-feira foi, portanto, um ato de cumprimento de uma ordem judicial. O ministro agiu para "afastar qualquer dúvida quanto à permanência de armamentos sob a posse, direta ou indireta, do condenado". Não é perseguição, é a lei sendo aplicada. Algo que os filhos do ex-presidente parecem ter dificuldade em compreender. Não conseguem ter cognição suficiente para entender que a lei deve ser igual para todos.