Se se analisar com consciência e honestidade os atos da Câmara do Deputados, que acabou de absolver o presidente golpista Michel Temer, não possuem qualquer validade.
Simples: o Eduardo Cunha, como se sabe, comprou o seu mandato para a Câmara dos Deputados, e por isso está preso; empossado, comprou a sua eleição para presidente da Câmara com a propina da JBS, que lhe deu 30 milhões de reais, conforme matéria da revista Época.
Com esse dinheiro, e outros dinheiros que ele é acusado de receber, e visando a sua eleição da Mesa da Câmara, ajudou eleger alguns deputados na surdina e depois distribuiu dinheiro para outros deputados para a sua eleição de presidente.
Depois, na presidência da Câmara, colocou em tramitação, como vinganca contra o PT, o projeto do impeachment contra a presidente reeleita legitimamente Dilma Rousseff, e para aprovação contou com os votos dos parlamentares comparsas da história dos 30 milhões de reais.
Com essas decisões corrompidas da Câmara, aprovou-se o impeachment contra Dilma, e eleva ao poder o vice-presidente beneficiário Michel Temer, que, assim, a sua ascensão ao Palácio do Planalto está eivada de contaminação.
Ora, se foi ilegal o mandato do Eduardo Cunha, tanto que foi cassado; a sua eleição de presidente da Câmara; o ato de tramitar o processo de impeachment, já que foi sua decisão unilateral; e a aprovação do impeachment em razão de alguns votantes estarem sob o seu controle, por distribuição de dinheiro sujo, não vale a votação do afastamento da presidente e nem a votação de absolvição do Temer naquela Casa Legislativa.
Assim dito, a Câmara dos Deputados do Brasil não agiu, nessa ciranda de atos impróprios, irregulares e ilegais, com a legitimidade e probidade que a Constituição da República requer, sendo, portanto, e para o bem da Pátria, passíveis de anulação pelo Poder Judiciário, que deveria, no tempo certo, como foram suscitadas, ter tomado as devidas providências.
Por Deusval Lacerda de Moraes