Por Deusval Lacerda de Moraes
O Brasil, hoje, não possui governo. E não me venham os sacatrapas de plantão dizer que esta caricatura de governo ilegítimo de Michel Temer chegue ao menos perto do que é um governo propriamente dito.
Esse desarranjo governativo imposto à Nação, tem causado, inclusive, sérios prejuízos ao País, não só no que tange à gravidade dos setores mais importantes da gestão pública para a população, mas também no campo democrático-institucional.
A direita não aprende a boa política. Por ser conservadora e elitizada, nunca soube o que é um verdadeiro governo. Não tem doutrinação, intenção, idealismo nem a condição técnico-organizacional para elevar o Brasil ao pedestal que merece.
O nosso País é mestre em não saber planejar para buscar o desenvolvimento integrado. A administração pública pátria é, geralmente, inclinada. É do tipo que, quando se cobre um santo, descobre o outro. Isto é, ocorre de sair-se bem numa área e deixa outra área em desamparo.
Acontece que o governo golpista não sobressai-se em nada, pelo contrário, afunda os setores mais importantes da administração, que requerem cuidados especiais por todo e qualquer governante, como saúde, educação, social, segurança, infraestrutura etc.
Também presta desserviço à democracia quando dissimula a representatividade popular em favor da governança originada no conchavo congressual arrimado exclusivamente na barganha ou no mercado negro do tama-lá-dá-cá para obter a governação.
País da dimensão territorial, populacional e econômico-industrial do Brasil, não pode ser governado para 5% da população, como aponta a última pesquisa de avaliação do falso governo, porque denota uma deformação governamental que escancara total divórcio entre o setor público e a Nação, que apenas colabora para o atraso administrativo e do progresso e crescimento nacional.
Governo bom é aquele que satisfaz o seu povo. Quando não atende aos anseios da sociedade é porque o governo não lhe pertence, mas serve a outros fins estranhos aos interesses da comunidade. É o caso do governo golpista, por servir ao capital externo e ao capital selvagem doméstico contra as aspirações da população.
Mas uma Nação só será grandiosa quando os políticos eleitos pelo voto assumem tão-somente a responsabilidade pública. Os políticos que representam os diversos segmentos sociais não podem de maneira alguma confundir a representação do povo com a acomodação arrivista de qualquer governo, para não estimular governo aos moldes de políticos de ocasião, quando, na verdade, o governo tem de existir aos moldes dos interesses comuns ou coletivos.
Isso se chama coerência pública. Quando os políticos eleitos em nome do povo abandonam a representação do próprio povo, trata-se exatamente de desvio de finalidade dessa representação, que, em vez do povo, representa, na realidade, os seus próprios interesses camuflados na representação popular.
É o caso típico da maioria dos parlamentares que apoia o governo usurpador do povo, o tal governo Temer, no Congresso Nacional. Há muito que esses congressistas já abandonaram o povo, que, em seu nome, foram eleitos, e agora transacionam emendas parlamentares do seu próprio interesse em nome do interesse público para darem sustentação ao governo que nunca representou os interesses do povo brasileiro.
Por isso, que, o Brasil, na atual quadra, não tem governo. E por razão elementar: com os 5% de aprovação, está na cara que o governo não representa a população. Pois se não tem lastro popular, quem o sustenta? Os congressistas que, assim, também deixaram de representar o povo, porque o governo, que eles dão sustentação, não é e nunca foi do povo. Conclui-se, portanto, que o governo espúrio e o Congresso estão em negação do seu povo. Daí o Brasil, neste crucial momento da sua história, está em desgoverno, pois o tal arremedo está fazendo muita danação ao povo pátrio.