Brasil: gangorra política

É indiscutível o potencial natural e humano do Brasil para atingir patamar de destaque no concerto das nações. Mas se discutem os graves erros e defeitos da formação político-econômica-social brasileira que obstaculizam chegar-se com maturidade a tão ansiado objetivo. 

Apesar de o Brasil em dados momentos até atingir certo relevo, como outrora fora desfrutado entres os países emergentes, mas tudo isso por meio de enorme sacrifício da população, devido à profunda desigualdade social, injusta distribuição de renda, gritante violência urbana e, vez por outra, caótica participação política. 

Por isso, a classe política brasileira deveria saber o que realmente quer. Pois, analisando a trajetória republicana pátria, observa-se que ela não sabe o que efetivamente deseja. E, nesse período governamental, denota-se verdadeira gangorra política na ciclotimia do País. 

Todos sabem dos anseios democráticos brasileiros, mas não pode ser democracia meia-sola. Aquela de atender a eventual grupo político no poder ou para elevar determinado grupo político ao poder. Nos países do primeiro mundo ninguém ousa desrespeitar ou tumultuar a democracia. 

Depois da Segunda Guerra Mundial, em que o Brasil vivia sob a égide da Ditadura de Getulio Vargas, veio a Redemocratização que foi interrompida pelo Regime Militar, que foi apeado pela Nova República, que, em recaída, instalou-se o golpe parlamentar-constitucional-judicial atualmente em vigor. 

O golpe de 31 de agosto de 2016 foi uma maldade. Não tinha qualquer razão de ser. Pois o Brasil experimentava, gozava, a plenitude do Estado Democrático de Direito com o seu respectivo corolário do Estado Social de Direito, agora estupidamente torpedeado. E com o espúrio motivo de acomodar a direita-elitista-conservadora no poder. 

Ocorre que democracia é uma construção permanente, não é sistema político de agrado sazonal a quem quer que seja. Por isso, não consolida-se da noite para o dia, mas através de constante e persistente aprimoramento. E para exercê-la plenamente não pode se servir dela, ao contrato, mas dela todo e qualquer governo ou poder deve ser servido. 

Dito assim, está na hora do Brasil seguir a sua vocação natural, a democracia em sua magnitude. Sem, pois, apelar para artifícios, estratagemas, manobras, ardis, ou demais subterfúgios ou vaivéns (gangorra política) para saciar os seus agrupamentos políticos de plantão, que só têm exposto ao mundo as suas fragilidades, vícios, defeitos, instabilidades que prejudicam o desenvolvimento nacional e mantêm a exploração, a mazela, a opressão e a injustiça em disseminação em grande parcela do povo brasileiro.

Por: Deusval Lacerda de Moraes